Setor de eventos na região em tempos de pandemia

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AM Master Hall: “Alguns milhões perdidos”

Em mais de seis meses de atividades suspensas, por conta da pandemia de Covid-19, o AM Master Hall, principal casa de eventos da região, deixou de receber festas de pelo menos quatro mil formandos. “Em cifras, alguns milhões perdidos, e não tem mais como recuperar”, calcula o empresário Márcio Pereira, da família que administra o estabelecimento. “Eram 16 formaturas por mês, além de eventos corporativos, aniversários, casamentos. A gente tinha 76 funcionários fixos, hoje teve que diminuir para 25. Em dia de formatura trabalhava com até 250 funcionários”, observa. Márcio está entre os muitos participantes do protesto que o segmento de eventos organizou para a tarde desta terça-feira, 22, em Criciúma.

“É bem preocupante, estamos parados há 185 dias, mais ou menos. Não vemos nenhum sinal para o nosso setor”, destaca. “O que nos preocupa mais é esse pessoal que demitimos, esse é o último mês do Seguro Desemprego, a partir do próximo mês ficam sem salário. Esse pessoal demitido do setor de eventos ficou desamparado, ninguém fala desse pessoal. Para nós é muito preocupante, não vemos luz no fim do túnel, o governo não dá satisfação, não tem nenhum representante que nos apoie”, frisa.

“O governo deveria liberar, vai quem quer nos eventos, não é obrigatório, para a gente poder trabalhar, com toda a responsabilidade e segurança. Deixem a gente trabalhar”, reclama. “Quem quiser ir nos shows, nos eventos, vai quem quer, não é obrigatório. O governo tinha que olhar para nós e liberar o nosso setor”, reforça o empresário.

Márcio acentua que, no período sem atividades, desde a segunda quinzena de março, as formaturas no AM Master Hall teriam reunido até seis mil formandos. “Não vamos recuperar.  A situação é bem preocupante, tem os funcionários que demitimos, nossa intenção era contratar agora. Achamos que estaríamos voltando agora, como a gente não está vendo essa possibilidade, a gente se preocupa com essas famílias, pois estamos desempregados”, salienta.

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“E eles vão comer o quê?”

O empresário Emerson Machado, proprietário de sete casas noturnas em Criciúma e região, conta que a situação está se agravando com esse semestre sem faturamento. “Como eu vou tirar meu quadro de funcionários, e eles vão comer o que? Como eu vou demitir os funcionários agora, na hora ruim? Eu quero abrir minha casa, colocar eles para trabalhar, é o que eles querem também, tanto que estão aqui também”, destaca. Emerson foi ao protesto desta terça acompanhado de vários dos seus funcionários.

“Nosso setor, em se tratando de reuniões e agrupamento de pessoas, não se difere de um comício, de um aniversário particular, conforme foi permitido pela portaria da última sexta-feira. Casamentos, formaturas, batizados, tudo é aglomeração, não é por cobrarmos ingressos que temos que ser tratados diferentes. Temos direito, sim”, afirma. “Todas as outras atividades entraram no rol de abertura, estão trabalhando, queremos o direito de trabalhar, mesmo com capacidade reduzida”, salienta.

Emerson afirma que as casas dos portes das que mantém possuem faturamento médio de R$ 100 mil a R$ 200 mil. “Por mês, dependendo do fluxo”, confirma. “A gente tinha a perspetiva de um ano bom, que prometia área econômica. A gente procurou se adaptar, estamos prontos para reabrir e retomar”, garante.

Um dos problemas, também, foi lidar com o cancelamento de contratos. “Logicamente que os artistas que estavam contratados fizeram a parte deles, mas também ficaram sem renda. Trabalhamos entre 30 e 60 dias para organizar a casa, imaginávamos que voltaria em julho. Fizemos uma programação, de julho passou para agosto, as casas estão fechadas, não tem faturamento, mas o custo permanece. Os proprietários das casas querem receber o aluguel, a gente entende. A gente não pode entregar o imóvel pois fizemos o investimento, ficamos entre a cruz e a espada. Vou demitir? Daqui a pouco volta o trabalho e não encontro a mesma equipe”, emenda.

Mas Emerson entende que há solução, basta que as autoridades abram um canal de diálogo. “Dá para equacionar os problemas, hoje tem culto religioso acontecendo, é só questão de sentar, conversar, ajeitar. Não dá mil, podemos colocar 300 pessoas. Se pagar o custo está bom, nos salvaria, daria um prolongamento de vida”, reforça. “Isso aqui é um evento para a gente, podemos reunir pessoas de forma organizada, pacífica. Temos que mostrar que podemos trabalhar. Estamos prontos para voltar”, finaliza.

Fonte: 4oito

 

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