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Orleans: Agricultor implanta sistema de ordenha robotizada

Renato Debiasi é o primeiro do Sul de Santa Catarina a investir nesse procedimento. Junto à família, empreendedor já vê aumento da produção leiteira

Orleans

Um robô capaz de realizar todo o processo de ordenha das vacas. Há um tempo atrás, muitos agricultores duvidariam que esse manejo poderia ser implantado nas propriedades rurais, mas com o avanço tecnológico e a busca pelo desenvolvimento do agronegócio, o produtor leiteiro do município de Orleans, Renato Debiasi, foi o pioneiro no Sul do Estado de Santa Catarina a instalar o sistema robotizado.

“Nós iniciamos a produção de leite há aproximadamente 20 anos, quando, na época, a ordenha era feita à mão, nós tínhamos apenas cinco vacas, depois passamos para uma ordenha mecanizada, porém com balde ao pé e uma quantidade maior de animais, posteriormente passamos para outro processo, já com transferidor automatizado, extrator e com medição de leite, isso já era uma grande evolução”, explica Renato Debiasi.

Há cerca de dois meses, o sistema robotizado de ordenha, o mais tecnológico de todos os tempos, foi implantado na propriedade Debiasi, localizada no Rio Pinheiro Alto. “Em conversa com a nossa consultoria, tomamos coragem e fomos os primeiros do Sul do Estado a implantar esse sistema. Acreditamos muito que vai dar certo, até agora, está indo muito bem, esperamos que mais famílias e produtores possam usufruir dessa tecnologia”, acrescenta o agricultor.

A família Debiasi conta com a consultoria de Vitor Müller, sócio da empresa ProAgro e representante da Lely Astronaut – empresa que comercializa a ordenha robotizada. “A máquina faz todo o sistema de ordenha de forma robotizada, tanto faz a raça da vaca, ela substitui o que é feito em uma ordenha convencional e trata os animais sozinha. Ela tem porteira de separação dos animais e nos passa dados sobre a gordura e tempo de produção de cada quarto do teto”, explica.

Além de auxiliar no gerenciamento de toda a propriedade, o sistema robotizado também contribui na hora de avaliar o desempenho dos animais e da produção como um todo. “O mais importante hoje que a gente vê não é nem mais só o acoplamento da ordenha, que quando víamos um robô era o que mais chamava atenção, a parte mecânica, atualmente, a gente dá muito valor pelos números, pelos dados que ele oferece em tempo real para tomada de decisões do que o próprio colocar a teteira sozinho “, enfatiza Müller.

Além do apoio através da consultoria, o produtor leiteiro trabalha junto à esposa, Valdete, que auxilia na produção, um dos filhos do casal, Renato e a nora, Vanusa Menegasso Bagio, que atua parte administrativa. Além deles, mais seis pessoas, entre eles, dois casais, são contratados pela empresa da família – a Cabanha Debiasi -, para contribuir com as demais atividades da propriedade.

Maior desenvolvimento

Para o produtor, o investimento foi um grande passo dado rumo ao desenvolvimento do próprio negócio. “É uma evolução muito grande, até porque, o que a gente está enfrentando no Sul do Estado é que se produz bem, porém se tem o custo mais alto do país. É uma coisa que puxa outra, a gente faz o investimento, mas, em contrapartida, o Poder Público deveria dar incentivo, subsídios, mas, não, pelo contrário, cobram muitos impostos e a gente fica sem proteção. Estamos fazendo nossa parte, produzindo com qualidade e investindo”, ressalta Debiasi.

Fluxo livre dos animais

O sistema de ordenha robotizada possibilita o fluxo livres das vacas, assim, os animais decidem quando irão comer, deitar ou serem ordenhados. “Na ordeira convencional elas são levadas para ordenhar, depois ela voltam para um confinamento. Já nesse processo, o fluxo é livre, elas ficam 24 horas livres, elas vão dar o leite a hora que elas quiseres, como se fosse dar para o bezerro. Não é necessário nenhum manejo, é o único robô do mundo que oferece esse fluxo livre, o restante é forçado”, enfatiza Müller.

Aumento da produção

Atualmente, devido ao processo, cada vaca é ordenhada, em média, três vezes por dia. “Algumas vão cinco, quatro, duas vezes, porque elas sentem a necessidade de ir lá dar o leite, quando era manual, era somente duas, sempre. Antes, nós limitamos a produção, hoje não, a produção vai aumentar cada vez mais”, comenta o consultor. “A gente espera, por vaca, uns seis a sete litros, diariamente, de aumento. É uma lactação inteira, 365 dias, isso representa muito, se a gente falar em dez litros, são mais de três mil litros de leite, a R$ 2, nós estamos falando em R$ 6 mil reais a mais, que a gente sabe que o robô pode oferecer”, complementa.

“Eu acredito no agronegócio”

Apesar de complexo, o sistema robotizado traz avanço para toda a região Sul dentro do segmento. “Eu, particularmente, acredito no agronegócio. A gente foi da agricultura, da pecuária, a gente tem uma visão um pouco além, sabemos que as pessoas precisam de alimentos”, comenta Debiasi.  “Nos preocupamos em produzir melhor e com menos custo, essa é uma forma que a gente busca se atualizar”, finaliza.

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