Neta de Marta Rossa Savaris, fundadora de Nova Belluno, relembra histórias da avó

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Na memória boas lembranças e no coração saudades dos tempos em que tudo era diferente. A antiga vida no campo e a pequena comunidade, de apenas sete famílias que moravam em Santa Luzia, fazem parte da história de Amélia Savaris Olivo, 86 anos, neta de Marta Rossa Savaris, fundadora do município de Nova Belluno, agora Siderópolis.

Neo sábado, dia 18, o município comemorou 129 anos de colonização italiana no Núcleo de Nova Belluno-Siderópolis e Amélia tem boas recordações de sua avó que ajudou na colonização e no crescimento da cidade.

“Marta veio da Itália com aproximadamente 20 anos, ela trouxe um filho e quando chegou aqui ele acabou falecendo, mas logo depois teve outro. Ela sempre trabalhou na roça, seja na Itália ou aqui. O nome escolhido para a cidade foi Nova Belluno, já que Marta morava, na Itália, na cidade de Belluno”, relembra a neta.

Amélia também menciona que sempre trabalhou na roça e que ama o que faz. “Na memória tenho boas lembranças. No final do dia sempre íamos nos vizinhos conversar sobre o que fizemos durante o dia na roça e no domingo era dia de remendar as roupas. Em nossa comunidade antes tinham apenas sete famílias e hoje tem mais de 100”, destacou.

Tempos antes a vida no campo era diferente. “A iluminação, de antigamente, era com querosene. Tudo era comprado aos poucos, um copinho de azeite, uma sabonete. A louça era ariada com cinza do próprio fogão a lenha”, contou Amélia.

MILAGRE

Amélia também lembra de um milagre que aconteceu com Marta e seu tio. “Ele espetou um prego nos olhos e para buscar pela cura, Marta dedicou sua fé à Santa Luzia. O milagre aconteceu e então sua família, em agradecimento, construiu um pequeno capitel – espécie de igreja, porém menor – em homenagem a Santa. Hoje a antiga igrejinha se transformou na atual igreja de Santa Luzia, com comunidade de mesmo nome.

“Hoje eu rezo também para Nossa Senhora protetora dos campos para que ela olhe por nós colonos, que a plantação cresça forte e que venha bastante chuva para molhar a terra”, comenta a neta.

Amélia ainda relembra que certa vez ela foi picada por uma cobra jararaca. “Eu estava grávida de oito meses quando senti uma dor terrível, colhendo palha no milharal, com meu marido. O dinheiro, fruto do trabalho de dois anos e oito meses, foi gastado no hospital para me salvar”, conta.

 

FAMÍLIA

Amélia nasceu e ainda vive no mesmo local, na comunidade de Santa Luzia, próximo a antiga casa onde sua avó Marta morou quando chegou da Itália. Tempos depois Marta se mudou para a comunidade de Rio Albina, também em Siderópolis.

Amélia tem seis filhos, sendo um falecido, 11 netos e quatro bisnetos. Casada com Hilário Olivo, falecido há nove anos, ao qual casou aos 17 anos e ficou por 59 anos.

MONUMENTO AO IMIGRANTE

A pedra hoje denominada “Monumento ao Imigrante”, foi retirada da propriedade de Amélia e Hilário.

“Quero agradecer aos imigrantes por tudo que fizeram por nossa cidade. Sinto muita saudade de minha família, quero muito bem todos eles”, concluiu Amélia.

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Por Jatene macedo

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