Conheça os benefícios que o uso da agroecologia pode trazer para a produção rural

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Melhora da saúde dos produtores e dos consumidores, além da qualidade do solo, estão entre as vantagens desse modelo de produção  

Definida hoje também como uma filosofia de vida, a agroecologia é uma maneira diferente de pensar e de cultivar a terra, respeitando o homem e o meio ambiente envolvidos na produção. Inúmeros são os benefícios que o seu uso pode trazer para a produção rural. Entre eles, destaca-se a melhora na saúde do produtor e de seus familiares, a promoção da qualidade do solo e da água e a consequente produção de alimentos mais saudáveis e valorizados no mercado consumidor.

Em Santa Catarina, há cerca de 1.850 agricultores que possuem certificação orgânica e fazem uso de princípios da agroecologia no setor que tem mais impacto da filosofia, a agricultura. Segundo a Epagri, esse número é crescente e as práticas relacionadas à agroecologia são bastante utilizadas no estado, apesar de ainda não serem predominantes.

O que é agroecologia?

Em resumo, a agroecologia é um campo de conhecimento científico e popular, que abrange as dimensões ecológica, econômica e social, a partir do enfoque holístico e de uma abordagem sistêmica, resultando em benefícios para os agricultores, consumidores, para o ambiente e para toda a sociedade.

— O objetivo é trabalhar no ambiente utilizando-se de recursos naturais de forma racional e equilibrada, a fim de disponibilizar ao consumidor alimentos de verdade: saudáveis, seguros e socialmente inclusivos — destaca o gerente estadual de extensão rural e pesqueira da Epagri, Darlan Rodrigo Marchesi.

Menor uso de agrotóxicos e fertilizantes

Os benefícios do uso da agroecologia foram facilmente percebidos pela agricultura e, acompanhando a tendência, foi prontamente adotada pela produtora rural Beatriz Moro, do município de Siderópolis, que produz diversas culturas de hortaliças como hortaliças, alface, chicória, couve folha, radique, rúcula, repolho e pepino. A produção média anual da agricultora é de 80 mil unidades, que são vendidas para uma rede de supermercados e para um restaurante local.

Segundo Beatriz, a agroecologia foi uma oportunidade para se adaptar ao mercado consumidor, já que faltavam hortaliças orgânicas. Desde 2015, Beatriz começou a usar os princípios da agroecologia. O objetivo principal foi se livrar dos agrotóxicos e fertilizantes químicos.

— Nós trabalhamos muitos anos com a produção convencional, por isso, a gente sabe que além de cara, ela é prejudicial à saúde — garante.

A agroecologia presume a menor demanda de uso de insumos nos sistemas produtivos, até a eliminação da maioria deles, o que pode refletir em menor custo de produção, com redução do custo ambiental e econômico. Para os consumidores, os alimentos e produtos oriundos da agroecologia são mais saudáveis a atrativos.

A agricultora Beatriz explica que foram dois anos de adaptação da produção convencional para o uso dos princípios agroecológicos, mas que reuniões para troca de experiência com outros agricultores e visitas de agrônomos da Epagri ajudaram no processo.

— Vale muito a pena, principalmente para pequenos produtores. Com certeza quem quiser começar sempre terá orientação e apoio dos agrônomos. O produto agroecológico tem um campo muito amplo, então é renda garantida. Além disso, é muito gratificante oferecer um produto seguro para a população — afirma.

agroecologia
(Foto: freepik)

Melhora da qualidade do solo

A utilização dos princípios da agroecologia torna os agroecossistemas mais resilientes e sustentáveis, ou seja, com maior capacidade de enfrentar desafios ambientais e climáticos. O equilíbrio ambiental tem como resultados principais a menor necessidade de utilização de insumos externos, melhor infiltração de água no solo e menor impacto negativo nos períodos de excesso ou falta de chuvas.

O trabalho desenvolvido no Sítio Flor de Ouro, localizado no bairro Ratones, em Florianópolis, é exemplo de uma produção que usa a agroecologia desde o início das suas atividades, que se deu há duas décadas, com o trabalho do agricultor e agrônomo Pedro Faria Gonçalves. A produção do sítio é de temperos, chás, verduras, legumes, raízes, tubérculos, frutas, além de outras árvores sem finalidade alimentar.

O resultado da produção é integralmente voltado a uma rede de cerca de 60 famílias parceiras. Essa parceria é baseada na ideia de Comunidade que Sustenta a Agricultura. Dessa forma, os parceiros viabilizam financeiramente a produção no sítio, que, em contrapartida, realiza a distribuição de cestas orgânicas.

— Esse modelo é altamente produtivo e trabalha com a regeneração da natureza, ao mesmo tempo em que produz alimentos — destaca Bruna de Paula, uma das agricultoras que trabalha no sítio.

Segundo Bruna, o modo de produção de agricultura sintrópica, popularmente conhecido como agrofloresta, é o adotado na propriedade.

— A agroecologia é uma escolha de vida, não apenas uma escolha de um modo de produção agrícola — assegura.

No Sítio Flor de Ouro há cerca de 1,5 hectares de plantio intensivo em sistema agroflorestal. A produção é realizada de maneira sustentável, pois é feito o manejo correto do solo. O resultado são alimentos saudáveis e pouco suscetíveis a pragas. Além disso, como a produção é diversa, não há grandes perdas, mesmo quando algum cultivo específico não obtém bons resultados.

Segundo Bruna, o trabalho é diário e duro, mas vale a pena.

— Observamos a natureza e, a partir dessa percepção, tomamos decisões sobre como conduzir os nossos plantios. É uma volta ao simples. Não quero dizer que o simples seja fácil. Exige estudo, dedicação e suor — destaca.

Princípios da agroecologia aplicados à criação de animais

Os princípios da agroecologia também são aplicados na criação de animais e buscam seguir como prioridade o conforto da natureza. Por isso, as criações são feitas respeitando o espaço mínimo entre os animais.

Quando a produção é orgânica, há uma série de critérios quanto à fabricação da ração que devem ser respeitados. A ração não pode ter componentes animais e deve ter no mínimo 70% da sua composição de origem orgânica, como milho e soja. O uso do esterco também é frequente e deve acontecer após o processo de compostagem, que permite estabilizar o resíduo animal, sem oferecer riscos de poluição ao meio-ambiente, e também minimizar algum contaminante biológico que possa estar ali presente.

No sítio Flor de Ouro, por exemplo, são criadas galinhas para produção de ovos e abelhas sem ferrão respeitando os princípios agroecológicos. Segundo a agricultora Bruna de Paula, esses princípios têm a ver com uma visão mais ampla, mais holística, em que todos os seres se relacionam, vivem felizes e têm interações benéficas.

Com relação às abelhas sem ferrão, Bruna explica que as abelhas estão integradas aos sistemas agroflorestais, pois se beneficiam de uma série de espécies de flora que são plantadas no sítio e que fornecem néctar e pólen como alimentos às abelhas. Em contrapartida, os seres humanos se beneficiam da polinização, do mel e do própolis que são produzidos.

— Não precisamos nos isolar da natureza. Podemos agir com ela, promovendo interações positivas — destaca Bruna.

Período de adaptação da produção convencional aos princípios da agroecologia

Em 2019, foram atendidas mais de 121 mil famílias catarinenses que buscavam adaptar sua produção rural aos princípios agroecológicos. Para isso, a Epagri desenvolve pesquisa agropecuária e presta assistência técnica e extensão rural aos agricultores e suas organizações, promovendo sistemas que utilizam tecnologias fundamentadas em boas práticas agropecuárias.

Um exemplo disso é o Programa Agroconsciente, lançado em 2019 pelo Governo de Santa Catarina, através da Secretaria de Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural, com suas empresas vinculadas Epagri, Cidasc e Ceasa. A proposição do Agroconsciente é potencializar as boas práticas em favor dos agricultores e consumidores, promovendo ações de fomento, assistência técnica, extensão rural, pesquisa agropecuária, comercialização e monitoramento da qualidade dos alimentos. Todos estas ações são ordenadas e articuladas para posicionar Santa Catarina como protagonista na produção e no consumo de alimentos seguros e produzidos com princípios.

Fonte Nsctotal

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