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Um pouco da história da mina de carvão de Siderópolis

Um pouco da história da mina de carvão de Siderópolis, em Santa Catarina

Na foto mina a céu aberto

A mina de Siderópolis não existe mais. Em 1991, no governo Collor, a abertura para a importação do carvão barato e de boa qualidade em oferta no mundo fez com que a CSN desativasse a mina, vendesse suas máquinas e doasse à prefeitura seus prédios, como a sede do escritório da empresa e o Recreio do Trabalhador.

Sim, a exemplo, de Volta Redonda, Capivari de Baixo, Siderópolis tinha o seu Recreio do Trabalhador. Afinal, foi construída dentro do projeto da CSN pelo mesmo gênio que construiu Volta Redonda, o general Edmundo Soares de Macedo e Silva, durante o governo de Getúlio Vargas.

O Recreio do Trabalhador é hoje um prédio destruído em Siderópolis, assim como a abandonada sede do escritório central da CSN .

 Havia também em Siderópolis o Recreio do Trabalhador, que foi abandonado e desabou

Na foto, parte do ex-escritório local da CSN, que está desabando, mas que ainda pode ser revitalizado

Não é só isso. A mineração deixou na cidade um rastro de destruição que transformou a paisagem de parte de Siderópolis no que os moradores chamam de “paisagem lunar”e que hoje estão sendo recuperadas. Naquelas áreas, contaminadas pela tóxica pirita e metais pesados, nem a grama cresce. E 2/3 dos rios da região foram irreversivelmente contaminados pelos mesmos produtos tóxicos.

Um mar de tristeza e de muita amargura

Marion 7800 era o nome da gigantesca escavadeira que, por mais de 40 anos, retirou o solo fértil de Siderópolis buscando o carvão que ficava quase ao nível da superfície. Foi importada peça por peça, dos EUA, e montada em Siderópolis, na mina da CSN, em 1960.

A escavadeira Marion da CSN devastou uma área equivalente a Copacabana, Leblon e Ipanema juntos

Só a base da máquina tinha 21 metros. Seu guindaste tinha 60 metros. Sua caçamba pesava 25 toneladas e a máquina como um todo tinha um peso de 1.500 toneladas.

Nos quase 40 anos em que atuou, devastou cerca de mil hectares – uma área maior que os bairros cariocas de Copacabana, Ipanema e Leblon juntos.

A tóxica pirita exposta pela máquina e espalhada pelas chuvas levou a biodiversidade local a zero. O mesmo solo infértil da lua, como foi citado. Subprodutos criavam uma chuva ácida. Os rios sofreram o mesmo efeito.

Mas a cidade colhia os louros da riqueza da mineração, graças à CSN.

Até que em 1991 a mina fechou. A máquina Marion 7800 foi vendida à Petrobrás. Sem os empregos e as riquezas da mineração, o município entrou em crise.

Há uma tese de que o nome Marion na verdade viria do hebraico “Myriãn”. Neste idioma a palavra significa “mar de tristeza” ou “mar de amargura”.

No caso de Siderópolis, foi este o rastro deixado por Marion: devastação, tristeza e amargura.

Os italianos que vieram e os descendentes que se vão

Apesar da sua origem francesa, Marion foi um nome muito popular nos EUA de 1880 até os idos de 1950. Os imigrantes italianos que iam para os EUA costumavam batizar suas filhas do sexo feminino como Marion, ao invés de Maria ou Mariana.

Uma curiosidade é que a base de Siderópolis foi a imigração italiana, ali iniciada em 1891. Deram ao local o nome de Nova Belluno, em homenagem à cidade homônima na Itália. Na Belluno italiana, pequena localidade de 36 mil habitantes, nasceram dois papas: Gregório XVI e João Paulo I.

Na Nova Belluno brasileira cerca de 100 famílias italianas compraram as glebas de terra oferecidas pelo governo e criaram uma próspera região agrícola e pecuária. Assim foi por mais de 50 anos, até que foi descoberto o mar de carvão existente sob seu solo fértil.

Cerca de 60 famílias tiveram que deixar a cidade depois que suas terras foram confiscadas pelo governo Vargas, dando-lhes indenização mínima.

A entrada do Brasil na II Guerra Mundial contra Alemanha e Itália não ajudava a vida dos moradores. Por imposição do Interventor do Estado Nereu Ramos, a cidade não poderia mais ter seu nome homenageando uma cidade italiana. Por decreto, Nova Belluno virou Siderópolis – em homenagem à CSN.

Claro que houve ganhos. Como foi dito, a cidade (que se emancipou em 1958) desfrutou de uma grande prosperidade econômica, mas pagou o preço alto da devastação e do abandono após o fim do ciclo do carvão.

Como um considerável percentual da população possui cidadania italiana, boa parte dela faz o caminho inverso: deixando o Brasil para ir morar na Europa, especialmente na Itália e na Alemanha.

O Brasil virou uma grande Siderópolis

O episódio de Siderópolis foi o resultado de uma cidade cujos recursos foram sugados irresponsavelmente e sem planejamento, até que se esgotassem. Mas a tempo está em recuperação áreas degradadas.

Um pouco de nossa história.

3 Responses to Um pouco da história da mina de carvão de Siderópolis

  1. Nilso Dassi Responder

    abr 10, 2017 at 04:55

    Os colonos adquiriram terras da empresa colonizadora, inicialmente Ângelo Fiorita e Cia (americana) e posteriormente da Companhia Metropolitana – A Colônia Nova Veneza foi uma empreendimento particular que prosperou, resultando nos municípios: Nova Veneza, Siderópolis, Treviso, partes de Criciúma e Urussanga.

    Nilso Dassi – Licenciado e Bacharel em História

  2. metsEt Responder

    abr 24, 2017 at 17:01

    Penso che si sbagliano. Dobbiamo discutere. Scrivere a me in PM.
    metsEt

  3. cantorEt Responder

    maio 11, 2017 at 19:11

    Bravo, ГЁ solo una grande idea
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