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Treviso une crescimento e qualidade de vida


Com pouco mais de 3,8 mil habitantes, o município um exemplo de tranquilidade. Os empreendimentos em meio à natureza ganharam força na cidade e hoje representam novas oportunidades de emprego e renda.

Luana Mello

Treviso


“Somos visionários” é assim que o presidente do Instituto Alouatta, Paulo Cadallora, descreve a paixão por Treviso. Com atuação na cidade há mais de uma década, o principal resultado do trabalho de conscientização do órgão está no desenvolvimento das pequenas comunidades. Hoje, os moradores enxergam a natureza como aliada do crescimento e a preservação do meio ambiente é uma das principais prioridades. É possível perceber os resultados positivos no crescimento do número de pousadas que estão distribuídas em quatro pequenas localidades do município. Uma realidade que antes era desconhecida, mas que hoje, significa também fonte de trabalho e renda para famílias.

“As pousadas são o que mais demonstram a evolução do nosso trabalho. Quando chegamos, o empreendimento na comunidade de Santo Antônio estava apenas começando. E percebemos que assim como eles, outras famílias poderiam ter seus empreendimentos. Hoje, Treviso conta com quatro pousadas. A gente está oferecendo 84 leitos. Temos pousadas em mais três comunidades e uma coisa interessante é que o empreendedor está entendendo que precisa não copiar o vizinho, mas precisa oferecer algo diferente”, salienta Cadallora.

Ainda conforme o presidente do Instituto Alouatta, o Turismo de Natureza é uma atividade nova, mas que deve tornar-se tendência nos próximos anos. “O instituto foi criado em 2005 com o objetivo de contribuir para essa atividade. O nosso foco é esse, mostrar ferramentas que possam desenvolver a comunidade. No sentido de preparar as pessoas para esse tipo de atividade que é bastante nova”, explica.

Outro ganho do Instituto é a transformação social, já que a maioria dos jovens precisa deixar a cidade em busca de outras oportunidades. “Sabemos que Treviso não tem uma saída econômica para sustentar o adolescente. Então a gente aponta para um caminho, que gera resultados a médio e longo prazo. As pessoas não conseguem proteger aquilo que elas não conhecem e o grande elo que falta entre a comunidade e a natureza é a informação. Investimos nisso”, afirma.

Principal destino de turismo de natureza no Brasil


A ideia é transformar Treviso em um dos principais focos do Ecoturismo no Brasil. Para isso, o Instituto Alouatta investe em projetos e na formação das pessoas. A observação de Aves é uma das iniciativas que tem atraído cada vez mais turistas para a região. “Até então era uma coisa que as pessoas achavam uma banalidade. Mas é uma tendência mundial e o Brasil está na ponta. É o segundo país com maior diversidade de aves do mundo. Abrimos uma turma para 15 alunos, fechamos 14 e desses formou um grupo de observadores. São coisas que até então a comunidade desconhecia”, comenta.

Ainda conforme Cadallora, a atividade é como uma espécie de álbum de figurinhas para colecionadores. “O observador vai lá e clica e joga em diversas plataformas digitais. Os interessados buscam e questionam onde a foto foi feita. Eles vêm pra cá, se hospedam, consomem, contratam um guia local, e então beneficia todos”, explica.

Cachoeiras encantam público com beleza natural

Rodeado de natureza, o município de Treviso coleciona belas paisagens. Entre elas, as cachoeiras ganham destaque, principalmente no verão. Em busca de uma alternativa para se refrescar e entrar em contato com o meio ambiente, os visitantes e moradores costumam lotar os balneários.


Um exemplo é a comunidade Guanabara que fica aproximadamente a 11 quilômetros do centro da cidade. Com menos movimentação, é um chamativo para quem busca paz e sossego. No local, é possível encontrar duas cachoeiras, próximas uma da outra, além de uma das menores igrejas do Brasil com os padroeiros Santo Izidoro e Santa Maria Torríbia. Outro ponto dedicado à meditação e fé é a gruta de Nossa Senhora Aparecida, às margens do rio.

Já no balneário Rio Manin, o mais popular de Treviso, o diferencial é a cachoeira localizada abaixo da ponte de acesso. Através de uma trilha curta e simples é possível chegar até ela e se encantar com a gruta em meio às pedras.

Há oito quilômetros do centro do município, a trilha da cachoeira Salto Branco conta com uma queda livre de 77 metros. O local foi um dos primeiros pontos de escalada do Sul de Santa Catarina. A trilha tem uma distância de 1100 metros até a cachoeira, é auto guiada e totalmente sinalizada, e está aberta todos os dias para visitação, com entrada gratuita.

Em Treviso, a vida acontece em outro ritmo


A tranquilidade dá boas-vindas aos visitantes de Treviso. Com pouco mais de 3,8 mil habitantes, de segunda a sexta-feira, a Praça no centro do município quase não registra movimentação de pessoas. Lá, a correria é outra. Sem o trânsito dos grandes centros sobra tempo para respirar ar puro e aproveitar familiares e os amigos.

É o caso da aposentada Darci Nesi, 72 anos, que acompanha com calma a passagem dos pedestres. Mesmo precisando uma vez ou outra ir nas cidades vizinhas, ela nunca sentiu necessidade de mudar. “Gosto muito daqui. Os idosos têm atividades e incentivo para participar de várias ações. Sou muito feliz e nunca pensei em deixar esse lugar”, comenta.

A qualidade de vida para muitos não está associada aos grandes gastos ou investimentos. Em Treviso, o que proporciona alegria é morar perto da familiares. Para a dona de casa, Samara Regina Cossa, 37 anos, esse é o maior benefício da cidade: estar próximo de quem se ama. “Moro perto dos meus pais e tenho a oportunidade de conviver diariamente com eles. É a melhor coisa de morar aqui. Quando precisamos de ajuda, estamos próximos da família”, afirma.

Primavera o ano inteiro

Uma coisa que não falta em Treviso são belezas naturais. Em uma terra fértil, onde brotam flores e sonhos, basta caminhar em frente as residências para perceber o colorido que embeleza o município. É assim que a vendedora Lurdes Savaris, 54 anos, enxerga a terra onde pretende continuar vivendo pelos próximos anos. “Amo minha cidade e não troco por nada. A natureza é a principal qualidade de Treviso”, destaca.

Comerciante mantém tradição com pequena mercearia

Uma cena que se repete há 42 anos. Em uma casa antiga de madeira, Salete Zampoli Fontanella, 65 anos, trabalha de segunda-feira a sábado, sem faltar nenhum dia. Hoje, o local funciona como um pequeno barzinho, onde é possível encontrar além da famosa cachaça de agrião, uma variedade de doces e outros quitutes. Uma realidade diferente de quando a família se mudou para Treviso. Em 1977, a mercearia era uma das únicas da cidade que oferecia “um pouco de tudo” aos moradores.


Atrás de um balcão, as prateleiras antigas guardavam além dos alimentos, a chance de uma vida melhor, longe da lavoura. “Meu marido sempre trabalhou com o primo dele em comércio. Quando me casei, sai da comunidade de Rio Jordão Baixo porque lá não tínhamos oportunidades e mudei para Treviso”, relata Salete.

Nos tempos de maior movimentação, a mercearia recebia um número alto de clientes e trabalhava com o serviço de entrega dos alimentos. “Antes não existiam os mercados maiores. Hoje, como compramos em pequena quantidade fica difícil competir com o preço. Mas nós tínhamos clientes fiéis e alguns compram até hoje conosco”, conta.

Com morte do marido, Artur Fontanella, a comerciante decidiu continuar atendendo no local para preservar as tradições da família. “Não consigo desempenhar outras atividades por conta dos problemas de saúde, então mantenho as portas abertas. Hoje vendo mais bebidas e balas, o movimento é pouco, mas pelo menos me mantenho ocupada”, afirma.

A vida tranquila de Treviso nunca foi motivo de incomodo para Salete. Mesmo que com o passar dos anos, a cidade tenha ganhado mais moradores, ela acredita que a vida está muito melhor. “Antigamente a única alternativa era trabalhar na roça. Hoje temos mais opções. Não troco essa cidade por nada. Amo muito morar aqui”, complementa.

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