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Lendas e Memórias do túnel em Siderópolis

Na construção do túnel, Brunel levava um revólver 38

Na construção do túnel, Brunel levava um revólver 38

Texto de Tais Sutero, transcrição na integra.
Matéria feita com Sr. Alberto Brunel, quando em vida.
* 01/11/1916
+ 01/11/2008

Memórias
Guardião da verdadeira história

Alberto Brunel é a memória viva da construção do túnel na ferrovia Dona Tereza Cristina


A construção de um túnel de 350 metros para a passagem da estrada de ferro Dona Tereza Cristina no inicio da década de 40 mexe com a imaginação da população de Siderópolis. Histórias de assassinatos, roubos, avalanches e tiroteios são contadas e aumentadas conforme a criatividade do povo. Dos que trabalharam na construção que durou dois anos, poucos ainda vivem. A memória do túnel subsiste apenas com relatos orais, e poucos registros existem sobre a obra. O único que ainda vive é o primeiro capataz do túnel, Alberto Brunel, 85 anos, que não cansa de desmentir as histórias. ” Eles dizem que eu não quero contar a verdade”, brinca. Os personagens do enredo imaginário dos moradores de Siderópolis são os trabalhadores braçais mal encarados que moravam em barracas no meio do mato próximo ao túnel, no alto do morro, atras do que é hoje o hospital São Lucas. Eles eram chamados de gaúchos, mas segundo o seu chefe, eram paulistas e mineiros pobres que percorriam o país atras de emprego, não tinham família e poucos documentos, e com a vida aprenderam a lutar pela sobrevivência, nem que para isso tinham que matar. Maioria que veio do Rio Grande do Sul era conhecida como de briga e andava armada com facas.
Aos 26 anos, Brunel veio de Tubarão para trabalhara na obra e comandar 24 homens, contratados pela empreiteira Companhia Socibla, segundo nome da empresa gaúcha Dona Bela Portela. Alguns ele já conhecia em outras construções de pontes e túneis no estado gaúcho. A chegada destes homens deixou os colonos italianos em polvorosa, Aos sábados, com medo de assalto, fechava mas vendas, e a noite ninguém sai de casa.

Brunel ia trabalhar com um revólver 38 escondido na camiseta e não dava as costas para ninguém.Eram rudes entre si e constantemente se brigavam. O aposentado lembra do velho Batucada, em moreno de quase dois metros de altura que assustava pelo tamanho e feições de malvado. “As crianças nem chegavam perto”, lembra.

Lendas
Fantasmas rondam o túnel

 

Moradores acreditam que as almas dos ex-trabalhadores e índios habitam o local

As lendas mais narradas são do índios que morreram durante a construção do túnel. Eles viviam no alto do morro, na mata virgem, e assassinados pelos mal encarados. “Tudo mentira, eu levei 50 dias cortando mata virgem e o único ser vivo que encontrei foi tatu”, diz Brunel, aos riso. Se perguntar para qualquer criança, a história que eles mais gostam é a da foto de um homem sem cabeça, que foi tirada no local. O homem seria uma alma viva daqueles que morreram nos arredores do túnel. Sangue era visto, ao invés da água que corre continuamente em meio às pedras de cimento. Durante a noite, gritos eram ouvidos. Os únicos que aproveitavam estas historias de terror são os marginais e viciados que usam o local para passar a noite usando drogas, conversando ou acabam levando as namoradas. Nos arredores da boca do túnel, caminhos, pontas de cigarros e litros de bebidas alcoólicas revelam atividades noturnas no local. Durante o dia, os moleques interessados em mostrar sua coragem atravessam o túnel andando, e se tiverem sorte ou azar o trem vai passar e será preciso usar um dos 13 buracos na rocha, os salva vidas, e depois ele poderá contar as aventuras para os colegas e até aumentar conforme a imaginação, que lá não é pouca.

A obra começou em 1942; com o crescimento da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) não havia um meio de transporte rápido para escoar a extração de carvão do município. Antes eram levados de carros de boi, que levavam o carvão até a localidade do Caeté, em Urussanga, para depois seguir viagem pelos trilhos. Os engenheiros Amaral e Toledo dos Santos, da CSN, administravam a construção. Poucas vezes apareciam por lá com medo de seus empregados, principalmente depois que o cozinheiro Rodrigues matou a facada um andarilho que apareceu para pedir comida. Irritado, o cozinheiro acertou um golpe certeiro. “O sangue escorria pelo morro e chamamos as autoridades que ficavam em Criciúma”, diz Brunel. O andarilho foi enterrado no cemitério como indigente e não se falou mais no assunto. O ex-capataz garante que foi a única morte que viu por lá. Nos primeiros 15 dias do mês, com dinheiro para comprar aguardente, bebiam e se tornavam ainda mais perigosos. Com o final do salário, vendiam as facas e o que tinham para alimentar o vício. A briga maior com os agricultores acontecia quando os cavalos e mulas que transportavam as pedras no túnel, invadiam as plantações para comer. O túnel foi inaugurado em 1944, os trabalhadores voltaram para o Rio Grande e muitos morreram envolvidos em brigas. Brunel acabou se casando e continuou trabalhando na empresa.

One Response to Lendas e Memórias do túnel em Siderópolis

  1. Perroni Brignoli Francisco Responder

    jun 6, 2017 at 19:20

    Grande arquivo histórico registrado pelo seu Brunel, e que viveu na época na cidade de Siderópolis.

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